Cheguei lá e fui direto ao Museu, o frio e uma chuvinha fina e incessante me esperavam. E eles não eram os únicos. Na frente do Louvre havia uma baguncinha de gente, não a normal que faz fila pra passar pela segurança ou para tirar fotos com a pirâmide, algo de diferente. Caminhei até eles e vi que rolava uma certa revolta. Os seguranças tentavam acalmar as pessoas em inglês, em espanhol, apontando uma placa:
Parti então pras minhas comprinhas, que também não tiveram muito sucesso, já que muitas das lojas que eu tentei ir, estavam fechadas para férias. Taí um costume que eles têm e eu não me acostumo. Em férias de verão, os comércios fecham durante um mês para que todo mundo possa viajar, e quem viaja até lá pra comprar, volta pra casa de mãos abanando!!
Foi então que eu fui ao encontro da minha amiga, que já estava me esperando. Cheguei, me sentei em frente à ela e antes mesmo que começassemos a nos despedir, eu já estava chorando. Não sabia se era de emoção, de tristeza, de saudade, de paz, de alegria. As lágrimas iam simplesmente correndo dos meus olhos sem nem pedir licença pra sair.
Eu disse à ela o quanto eu era grata por esse ano, essa experiência, essa viagem final. Por como ela me convidou a vir ao país dela e sempre me ajudou a me sentir tão bem aqui. Ela estava quieta, mas dava pra ver que ela queria que eu ficasse um pouco mais. Expliquei o quanto tudo isso foi essencial pra mim, mas como é ainda mais importante que eu volte para minha família, pros meus amigos e pra minha vida real, e ela entendeu.
Nós rimos lembrando dos bons momentos, choramos pensando nos difíceis e rimos de novo por termos vencido e vivido cada um deles. Ela me prometeu me acompanhar e dar forças por onde eu for e eu prometi voltar pra vê-la em breve. Entre lembranças e promessas, quase três horas se passaram sem que eu percebesse. Era hora de ir e deixá-la ali fazendo o que ela faz de melhor: alegrar a vida das outras pessoas.
Antes de partir, resolvi tirar uma última foto nossa, que eu divido com vocês:
Depois disso, pronta pra voltar à Lesquin, encarar as três últimas semanas de trabalho com as crianças e, num piscar de olhos, voltar pro meu lar doce lar, peguei meu trem à Lille. Lá, o Pierre e as crianças me esperavam na estação. Ganhei um abraço tão gostoso dos pequenos que já comecei a me lembrar da sensação maravilhosa que é o "chegar em casa".
Passamos um tempão juntos, brindando às férias, dividindo histórias de viagens e entendendo que nossa vivência está chegando ao fim!
Mais tarde, depois de 17 noites mal dormidas, eu finalmente encontrei minha cama. Deitei minha cabeça no travesseiro e me dei conta do que toda essa viagem representou pra mim. Como foram maravilhosos todos os encontros e reencontros com pessoas e lugares.
Eu voltei pronta. Pronta pro que der e vier!

Parece que sou sempre eu que deixo primeiro um comentário, tá dando na cara que mãe é fogo mesmo! Que lindo e que bom ler tudo isso. Percebo que você está realizada e feliz com seus planos. Quero ganhar tres horas de "mimo" de você quando chegar aqui..assim como a torre ganhou!Saudades!
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