Finalmente cá estou eu de novo!
As duas últimas semanas foram tão corridas e repletas de coisas boas que não deu nem tempo de escrever antes, embora eu tivesse muita coisa pra contar! Tudo isso, porque foi nesse tempo que recebi a visita tão esperada de meus pais, minha irmã e minha sobrinha.
Foram 18 dias de alegria, aventuras, momentos maravilhosos, diversão e, claro, de muito amor! Curtimos muito a companhia uns dos outros.
Antes de começar a ler, é importante saber que eu demorei mais de 2 horas pra escrever esse post, ou seja, há muito pra ser lido. Se você estiver com pressa, pode ler só as palavras em negrito, elas resumem bem cada tópico.
AVENTURA INICIAL - ou
- O dia em que quase dormimos na rua.Tudo começou dia 09/04. O dia da
chegada deles, programado e revisado na minha mente pelo menos umas 589 vezes e meia! Deveríamos nos encontrar no aeroporto
às 16h, eles chegavam de avião e eu de trem, 16:15h o taxista, já reservado, viria nos buscar pra estarmos no apê que alugamos
em Paris por volta das 17h/ 17:30h, onde a zeladora estaria nos esperando. Porém, a França é a França. Não só o país dos queijos e vinhos, mas também - e principalmente - o país da
greve. Assim que cheguei na estação de Lille, soube que meu
trem tinha sido
cancelado, e se eu tivesse sorte e fosse bem rápida, poderia pegar um que sairia uma hora depois do previsto. Pra resumir, eu cheguei no
aeroporto umas
17:40h, encontrei com eles chorando de emoção e raiva da greve ao mesmo tempo. Até conseguirmos parar de nos
beijar e
abraçar, já era mais de 18h, e claro que nosso taxi não estava mais lá. Conseguimos um segundo, pegamos um
trânsito enorme, e chegamos finalmente ao prédio, às 20:15h, onde, obviamente, a
zeladora não estava nos esperando! O horário dela era até às 20h, e como não dá pra tirar a razão de Murph, nada é tão ruim que não possa piorar. O
telefone que o proprietário do apê me passou, estava
errado.
Quando um primeiro morador do prédio passou por nós, perguntei se ele sabia como eu poderia encontrá-la e ele me disse que ela morava lá, então em algum momento, ela iria aparecer. Sem pestanejar, montamos acampamento ali na frente e ela realmente apareceu. Gritou, xingou um pouquinho, mas
abriu a porta pra nós. Por volta das
22h, estávamos finalmente instalados, quentinhos, confortáveis e - o mais importante -
juntos.
PARIS - ou
- Kiwi xuco xuco

Ficamos em Paris do dia 09 ao dia 14. Nosso
apê era pequenininho, mas bem confortável e super
bem localizado. Desenvolvemos uma logística pra fazermos nossos passeios sempre apé, de trem ou metrô. A
Luiza se mostrou uma super
companheira de viagem, sem dar trabalho, sem reclamar e gritando
OBA OBA OBA cada vez que via um trem ou metrô (que não foram poucos!). Pra
brincar com ela, eu quis ensinar que o
trem fazia o barulho:
Piuii, xuco, xuco, xuco. Ela gostou da
idéia, olhava pros
Parienses cansados dentro do metrô às seis da tarde e
cantava Kiwiii, xuco, xuco.
Eles não sabiam o que ela estava dizendo, mas foram poucos os que não
sorriram.
Visitamos todos os lugares lindos que Paris tem a oferecer: Torre
Eiffel,
Champs- Elysées,
Louvre, Jardim do Champ de Mars,
Sacré Coeur,
Montparnasse,
Moulin Rouge, Catedral de
Notre Damme, Castelo de
Versailles e o magnífico
show de luzes da Torre durante a noite (e nesse programa, estávamos bem
acompanhados de uma boa garrafa de
vinho francês).
Paris é linda, não tem outra maneira de descrever. É difícil ver uma coisa e não gostar, e
ao lado de quem a gente ama tanto
(e não vê há sete meses) parece até mentira. Nos momentos que eu duvidava que aquilo fosse
real, eu olhava ao meu redor, sentia os dedos deles entrelaçados nos meus e concluia -
não podia ser
mentira, era
pura paz!
AMSTERDAM - ou
- Brasil na Holanda.
Da outra vez que eu fui à Amsterdam eu expliquei aqui quem era a
Dani que me recebeu por lá. Pra quem não lembra, é a cunhada da minha irmã que mora lá com a
família. Um
anjo em forma de gente. Mais uma vez, nos
recebeu extremamente bem.
Chegamos lá no dia 14 à tarde, e ela e os meninos (Victor e Eric) já estavam nos esperando ansiosos na estação. Sem palavras pra recepção deles ou pra explicar o
reencontro da
Lulu com os
primos e a
titia. Na
casa dela, nos esperava um delicioso
bolo de fubá, café,
empadinha e tanto
carinho que o sentimento era quase
tangível!
Foram mais quatro dias de
colírio pros olhos.
Passeamos um monte apé, de
barco, de carro, de
tram, conhecendo e curtindo cada detalhe daquela
cidade maravilhosa, pelos olhos de uma local! Nada escapou da
programação: muitos
parques lindos
(o passeio preferido da Luli!), os canais, as
bikes, mercado das
flores, praças,
moinhos, os tamancos de madeira...
Estar lá, com tanta
gente querida, com direito a colo de pai, mãe e irmã, sorriso da afilhada 24 horas por dia, carinho da família Stols e até rede Globo foi como
estar no Brasil sem sair da Europa.
Foi também lá que soubemos sobre o vulcão em erupção na Islândia. Meu pai deveria embarcar de lá pra Espanha, onde ele faria o caminho de Santiago de Compostela - com todos aeroportos fechados foi impossível. Pra nós, acabou sendo melhor, já que ele passou mais tempo conosco e teve a chance de vir pra Lesquin e conhecer minha casa e a família Sagot. LESQUIN E LILLE - ou
- Como eu descobri que a família Sagot gosta de mim.
Não que eu achasse que eles me detestassem. Eu sempre soube que desenvolvo um bom trabalho com as crianças aos olhos deles e que passamos bons momentos todos juntos. Mas é difícil entender palavras e expressão de sentimento na língua e cultura dos outros, menos quando eles decidem falar pra sua família a diferença que você faz ali.
Chegamos no domingo dia 18. O
Pierre foi nos buscar na
estação e nem sei como conseguimos caber com toda nossa bagagem no carro dele! Meu
pai passou
dois dias por aqui e partiu na terça, de trem, em direção à Santiago. Minhas
meninas (mamãe, irmãzona e afilhadinha), ficaram
uma semana.
No dia da chegada, fomos recebidos na
casa da famille Sagot com
champagne, moules avec des frites (prato típico) e um
sol que eu nunca tinha visto aqui. Eu banquei a
tradutora/ intérprete o
dia (e a semana)
todo - é legal desafiar nosso cerébro, mas no fim do dia minha cabeça queria explodir!
A semana toda foi dividida entre meu
trabalho na casa
e os
passeios com a família. Íamos e voltávamos de
Lille o tempo todo, sempre correndo pra dar tempo de ver a fazer tudo que queríamos. E nas
noites, eu me enfiava no
quartinho de hotel delas pra
aproveitar até o fim!Na sexta, pra
agradecer a boa
recepção da famille Sagot, foi o dia de
cozinhar brasileiro! Com nossa massinha típica lá de casa e mousse de limão pra sobremesa - fizemos
sucesso! E domingo, mais champagne! Dessa vez pra comemorar os
12 anos do Julien e pras famílias se despedirem!
A
Jeanne e a Luiza se deram super bem, mesmo sem entender o que se diziam,
brincaram muito e
curtiram o tempo todo
juntas!
BRUGGES - ou - Hoje só vale comer besteira.
No
sábado, a Valèrie nos emprestou gentilmente seu carro, pra que eu as levasse conhecer Brugges. Demos sorte com o tempo durante toda a viagem, mas Brugges foi excepcional -
22 graus e um
solzinho delícia!
Andamos um monte pela cidade,
curtindo todos os
detalhes. Lá tudo é muito
antigo, mas super
conservado, o que deixa o
lugar ainda mais
bonito. As
pessoas também são muito simpáticas e mais
de bem com a vida do que os franceses!
Aproveitamos que a viagem estava no fim e que Brugges tem uma boa
besteira alimentar a cada esquina, pra passar o dia à base de tudo que engorda, faz mal, mas todo mundo adora: sorvete,
chocolate, crepe,
batata frita, gaufre e afins... Mas nem só de sólidos se satisfaz um corpinho ávido por porcaria, então eu e mamãe aproveitamos pra tomar um "
choppinho" com vista pros canais...
O
dia foi uma
delícia e mais uma vez a
Lulu foi companheiríssima,
aproveitando o passeio como se fosse gente grande!
AVENTURA FINAL - ou - Todo mundo merece um beijo.Segunda-feira, dia 26, foi nosso
último dia juntas. Passamos o dia todo em casa, arrumando os últimos preparativos pra partida delas. Como o
vôo era
às 23h, estávamos sussegadas. O Pierre voltou pra casa às
18h, me emprestou o carro e nós
partimos com destino ao
aeroporto de Paris, com ajuda da
GPS que ganhou vários nomes durante a viagem, mas vou resumir, chamando-na de
Justine! No
meio do caminho, minha
irmã decidiu confirmar o terminal de embarque e pra isso
pegou as passagens. Eis que ela faz a descoberta da noite: O
vôo era às 22:20h e não às 23h.
Deu um
pouco de pânico, claro...
mas tínhamos saído cedo,
ia dar tempo com certeza. Só não contávamos que a
Justine só soubesse chegar próximo ao aeroporto, mas não dentro dele.
Seguindo ela, acabamos
nos perdendo, e aí o sim o pânico aumentou! Sem saber mais o que fazer, encontramos um Jeep do exército e
pedimos ajuda. Muito gentis, eles
nos guiaram até o aeroporto, dentro do
terminal 2 - como indicado e
confirmado na passagem. Chegamos em cima da hora, então as deixei na porta e fui estacionar o carro sozinha. Quando saí do carro, minha irmã me liga -
O terminal mudou, o vôo saí lá do 1. Eu não sei vocês conhecem o
Charles de Gaulle, mas ele é
gigantesco. Elas
saíram correndo pra pegar o
trenzinho que vai de um terminal pro outro, e
eu corri atrás, sem saber se ia conseguir encontrá-las a tempo de me despedir. Corri muito, e
as encontrei, impedidas de entrar na plataforma com o carrinho de malas.
Juntas,
conseguimos carregar tudo e chegar no terminal certo.
Acho que fomos as últimas a fazer check-in pra esse vôo, mas o importante é que
deu certo.
Nos despedimos no portão de embarque, faltando no máximo meia hora pro avião partir, com um
grande abraço e
beijo familiar e a promessa do até logo
(falta tããão pouco..).

Essa
viagem toda foi, sem dúvida, um dos momentos
mais especiais das nossas vidas, e eu amei muito estar com elas e com um pouquinho de cada um de vocês que mandaram tanto
carinho na mala delas! As malas voltaram mais pesadas, porque eu
mandei tudo de volta, espero que vocês recebam!
____________________________________________
Durante a viagem, recebemos uma notícia muito triste que não posso deixar de dividir. A Dolly, nossa cachorrinha de 15 anos, teve uma forte crise respiratória e acabou falecendo. Não pudemos nos despedir, mas sabemos que ela está bem onde está e foi embora com a certeza do nosso amor incondicional por ela.
Fica com Deus minha coisa feia!