segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mon chez moi.

Já faz vinte dias que estou de volta à minha casa e desde que cheguei venho pensando que precisava dar um final a este blog, não podia simplesmente abandoná-lo. Não sei se foi falta de inspiração ou se não estava preparada pra fechar mais esse ciclo da minha vida, mas todas as vezes que sentei em frente ao computador com esse objetivo, acabei desistindo antes mesmo de começar.

Hoje não, hoje vou fazê-lo até o fim... O fim - exatamente a palavra que devia tematizar esse post, mas como eu sou do tipo que vê o copo meio cheio, prefiro usar a palavra recomeço. E é verdade, tudo que acaba traz uma nova oportunidade de vida com a vantagem de ter ainda mais experiência e coomprensão de si mesmo na bagagem pra ir em frente.

Queria fazer um balanço desse ano, de tudo que vivenciei e de tudo que mudou pra mim. Queria, por exemplo, dizer que nesse um ano de França pude rir até a barriga doer e chorar até sentir as lágrimas acabarem. Que esquentei o coração com e-mails e ligações recebidas às vezes de surpresa, às vezes no meio da noite. Que aprendi muito sobre o amor e sobre a falta dele. Que depois de 20 dias de albergue, um banho quente no seu chuveiro faz toda a diferença. Que milhares de vezes me peguei rindo sozinha em público de algo que lembrei e só fazia sentido pra mim. Que vi e vivi a neve, o sol, a chuva, o frio e o calor de uma maneira totalmente diferente. Que andei tantos quilômetros que talvez pudesse ter voltado pra casa apé, se não fosse o oceano que nos separava. Que me apaixonei e fui correspendida, não só por um alguém, mas por tantas coisas e lugares. Podia dizer tantas coisas mais, mas esse post acabaria se tornando um livro, e isso - bom, isso é outra ideia!

Voltei com o coração cheio, mas não completo... sabem como é, sempre tem lugar pra mais alguém ou mais alguma coisa. Trouxe muita gente querida na bagagem e deixei várias promessas de reencontro (que pretendo cumprir muito em breve). Fiz amigos, fiz uma nova família e só isso já é suficiente pra saber que tudo valeu muito à pena.

Não lembro se disse isso aqui antes, mas acho que a maior lição que esse ano me deu é aquilo que aprendi sobre o conceito de lar. Lar não é a casa onde moramos, a cidade em que nascemos ou o quarto em crescemos. Lar é, na verdade, o lugar onde seu coração está. E o meu está onde estão minha família, meus amigos amados, meus costumes de vida - está aqui, bem pertinho de vocês.

O ano acabou mas os frutos que plantei nesse tempo, estão começando a amadurecer a fim de serem colhidos e eu não vejo a hora de saborear cada um deles. Não posso também deixar de agradecer a cada um de vocês que me fizeram companhia não só nesse blog, mas em todos meus passos. Todos os comentários, leituras e incentivos foram de extrema importância para mim - Obrigada.

Não quero finalizar dizendo tchau, mesmo porque o momento está muito mais para um oi. Então deixo pra vocês algo que me deram esse tempo todo: uma motivação.
"Tudo dará certo, e tudo dará certo, e todo o tipo de coisa dará certo."
Juliana de Norwich


Prometo que só basta acreditar!
Gros gros bisous,

Estelá.


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Voltando pra casa!

Esse post está sendo escrito diretamente da sala de embarque do aeroporto de Paris! Minhas malas já estão "embarcadas" e minhas próximas horas são destinadas a aviões e esperas! É inacreditável que em algumas horas eu estarei de volta ao meu Brasil tão querido e, melhor ainda, às pessoas que eu amo!

Os últimos dias aqui foram incríveis, muita coisa acontecendo, muito tchau pra destribuir. Quinta foi dia de volta às aulas, e quando a Jeanne entrou pra escola das grandes, como se fosse uma primeira série pra nós. Vê-la entrando pra aula sozinha, com aquela mochilona nas costas e sem medo nenhum, me deixou tão orgulhosa e emocionada que parecia que ela era minha!!!
À noite, com a presença da nova au pair que veio me substituir, fiz um bom jantar pra família, e passamos um momento muito gostoso juntos.

Sexta, além de trabalhar recebi a visita de um amigo querido que veio prestigiar meu última fim de semana de França. No sábado, estava rolando a Braderie em Lille, uma feira enorme onde as pessoas vendem de tudo por preço de banana, que ocupa a cidade toda - torno de 10 mil stands de tudo que se possa imaginar. Nessa festa também é tradicional comer Moules et Frites, um prato típico do norte da França - mexilhões com batata frita. Todos os restaurantes jogam todas as conchinhas do mexilhão ao lado de sua porta e fazem uma competição de quem tem a maior montanha de conchas!!

Domingo, almoço de despedida com a família Sagot e jantar de despedida com o Alex (o amigo citado ali em cima!). Um monte de emoções e sentimentos misturados, tudo muito louco.

Hoje, ainda deu tempo de finalizar as malas, me despedir da casa, almoçar com as crianças pela última vez e vir pro aeroporto. Me despedir da Jeanne foi bem complicado. Ela ficou muito emotiva, chorou.. eu prometi que nos veríamos sempre por Skype e que eu voltaria pra vê-la assim que eu puder. Só me deixei chorar quando já estava longe dela, pra não dificultar mais.

A maman me trouxe pro aeroporto, fizemos check in, tomamos um café e lá se foi mais uma despedida difícil - nos tornamos bem amigas durante o ano e ela vê melhor do que ninguém todo o amor e cumplicidade que eu e os filhos dela criamos nesse ano.

Agora falta pouco. Alguns minutos pro embarque começar e outros mais por avião partir.
Em pouco tempo, vou abrir os olhos e encontrar muitos dos amores que tenho e que estão há tanto tempo esperando por um abraço!

À demain mes chéres!

domingo, 29 de agosto de 2010

Quem tá pronto pro fim põe o dedo aqui, que já vai fechar!

"Hoje completo minha primeira semana aqui!! Quase nem vi o tempo passar.. se for assim com o ano todo, vai acabar mesmo antes que eu perceba!!"

Foi exatamente assim que eu comecei meu post do dia 17 de setembro de 2009, há quase um ano. Eu não sabia muito bem, mas estava certa - o meu ano na França passaria num piscar de olhos. E hoje vivo o contrário - estou a uma semana da minha partida e o tempo parece não passar.

Os preparativos já começaram. Na quarta feira, dia 01 de setembro, a Olga, nova au pair da casa, está chegando por aqui e então, além do meu trabalho e de um pouco do que eu aprendi sobre as crianças, deixarei pra ela aquele que foi meu quarto neste último ano. Assim, aproveitei o fim de semana pra colocar tudo em ordem e começar a arrumação das malas. Além de toda a melancolia que acompanhou o momento, foi bem difícil saber por onde começar, mas com um pouco de coragem e muito trabalho uma delas já está pronta e fechada e a outra só esperando as coisas que eu ainda pretendo usar nessa semana.

Com a chegada da Olga, eu passarei a dormir no escritório onde tem um sofá cama e tudo mais que eu preciso pros últimos dias, mas não tem espaço suficiente pra tudo que eu trouxe e juntei no ano, então decidi deixar as coisas o mais organizadas possível.

Muita gente tem me perguntado qual a sensação de estar a tão pouco do fim e do recomeço. É engraçado pois é numa situação como essa que a gente vê quantos sentimentos o ser humano pode ter dentro de si ao mesmo tempo. Eu estou extremamente feliz e satisfeita com o que vivi e com a idéia de voltar pra perto da minha família e amigos. Ao mesmo tempo eu estou abalada com o fato de deixar essa família tão querida da qual eu me sinto parte e voltar pra uma vida diferente da que eu deixei no Brasil, sem saber o que será dela! Me sinto aliviada de deixar pra trás a responsabilidade e o trabalho com as crianças e cheia de ciúmes pela chegada da minha substituta e por tudo que ela vai viver com eles e eu não. Mesmo com problemas e preocupações, eu amo ainda mais minha vida, e todos os dias acordo agradecendo por ser quem eu sou e ter quem eu tenho. Tem também uma pontinha de "love in the air" que veio acompanhada de uma pitada de desapego, deixando tudo mais fácil !! Eu poderia tentar, mas seria impossível resumir tudo isso numa única palavra ou mesmo numa frase. Só de reler o que escrevi, me parece que esqueci um monte de coisas. Imagino como tudo isso estará misturado dentro de mim na véspera da minha partida!

O legal mesmo é que eu estou muito em paz. Sinto que estou preparada pra tudo, pra agarrar a vida nova com unhas e dentes e pra lutar todos os dias pra continuar me sentindo assim.

Se preparem porque eu não vejo a hora de estar no meio de vocês, contar um monte de histórias e falar e ouvir português o dia inteiro!!!

Beijo bem grande e ótima semana pra todo mundo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Lens x Mônaco

Desde que eu cheguei aqui que digo ao papa que gostaria muito de ir a um jogo de futebol francês. Nunca conseguíamos conciliar nossos fins de semana livres com bons jogos perto de casa, mas antes de eu ir viajar, pesquisamos na internet e marcamos que no meu primeiro sábado aqui após a viagem, e antepenúltimo antes de voltar pro Brasil, nós finalmente faríamos isso. E fizemos!

Fomos eu, ele e o Julien. O jogo foi em Lens, uma cidade a uns 20 minutos daqui, em que o time da casa jogava contra Mônaco.

Chegamos pouco mais de uma hora antes da partida, estacionamos a mais ou menos um quilômetro do estádio e caminhamos até lá. No caminho, gente de todas idades, homens, mulheres e crianças, seguiam a mesma direção, todos vestidos em vermelho e amarelo, que pra eles significa Sang et Or = sangue e ouro.

Nos instalamos no estádio, que me pareceu muito menor e mais quadrado do que os que eu já fui aí no Brasil. Nosso lugar era muito bom, uma arquibancada coberta com vista privilegiada. Bem abaixo de nós a torcida organizada, que é organizada de verdade! São uns músicos, uma galera fanática pelo time e dois ou três caras sem camisa montados num "palanque" puxando as músicas e fazendo a galera gritar, inclusive um deles tinha o símbolo do time tatuado no peito, bem em cima do coração.

Éramos torno de 29 mil torcedores do Lens, contra 150 do Mônaco.


O jogo começou animado. Torcida cantando, bola rolando e não demorou pra sair o primeiro gol - do Mônaco! O Lens se entregou numa bandeija depois disso. Logo o Mônaco marcou mais um e nessa, nossa equipe já quase nem corria mais em campo. Tentava, tentava, mas era só bola fora ou na mão do goleiro. Fim do primeiro tempo, Mônaco 2, Lens 0.

Lens é uma cidade onde há alguns anos só existiam trabalhadores de minas de carvão e eles tem um orgulho louco disso. Então, enquanto a equipe entrava em campo pro segundo tempo, conforme a tradição, toda a torcida em pé, segurando suas bandeiras e lenços do time nas mãos, cantava o hino dos mineiros. Super emocionante, até arrepiei.

Apitado o início do segundo tempo, o time podia jogar só em amarelo, porque eu não via ninguém dar o sangue em campo. Eu já estava ficando entediada, quando, faltando quinze minutos pro jogo acabar, um jogador começou a se destacar. Driblou todo mundo, correu, chutou e GOOOOOL pro Lens! No telão, a foto do cara, e o comentador que no microfone fala: O nome dele ééé Dos SantÔs, AdrianÔ! Huuumm.. pergunto pro papa "Esse nome..ele é brasileiro?!" Era óbvio que sim. O Pierre e o Julien me olharam com aquela cara de "agora aguenta"! Mas eu sabia que aquela garra toda pra marcar o gol não viria de um francês! Sem preconceitos - eles são ótimos pra lançar maquiagens e produtos de beleza, mas, cara, bola é coisa nossa!

O Dos Santos acabou dando uma alegrada no time e na torcida que voltou a apoiar a equipe com toda a força. O vermelho do sangue finalmente entrou em campo. Marcaram um segundo gol e lutaram por um terceiro até o fim, mas não foi dessa vez. Era dia de empate!

Quando o jogo acabou, continuamos a tradição nortista dos jogos de futebol. Fomos a uma barraca de fritas dentro do estádio, onde compramos três sanduíches de fricandelle com fritas. Fricandelle é um linguiça que ninguém sabe do que é feita, mas todo mundo come. Ela vem dentro de um pão da semana passada, cobertos de muita batata frita e uma colherada enorme de maionese. Puro óleo. Mas como eu sou light, eu deixei o pão de lado e comi o resto. Sabem como pão engorda, né!?

Voltamos pra casa todos contentes com nossa soirée. Comentando o jogo e como era uma pena que não teríamos tempo de repetir a dose. Aproveitei pra convidá-los pra retribuir a noite, com um jogo no Palestra - aí sim!

Passei a noite tomando muita água, mas sobrevivi perfeitamente ao meu primeiro jogo francês e à minha primeira fricandelle!

domingo, 22 de agosto de 2010

Au revoir ma Belle

Para o meu útlimo dia de viagem, terça-feira, dia 17/08, eu planejei uma passada especial por Paris. Além de alguns negócios que eu tinha pra resolver por lá (sim, são compras - quem eu estou querendo enganar?!), eu também não podia voltar para o Brasil sem antes fazer duas coisas: conhecer o Louvre e me despedir de uma grande amiga.

Cheguei lá e fui direto ao Museu, o frio e uma chuvinha fina e incessante me esperavam. E eles não eram os únicos. Na frente do Louvre havia uma baguncinha de gente, não a normal que faz fila pra passar pela segurança ou para tirar fotos com a pirâmide, algo de diferente. Caminhei até eles e vi que rolava uma certa revolta. Os seguranças tentavam acalmar as pessoas em inglês, em espanhol, apontando uma placa:
Eh bah oui... O Museu do Louvre não abre às terças-feiras!!! Eu tentei Mona, mas nosso encontro vai ter que ficar pra uma próxima.

Parti então pras minhas comprinhas, que também não tiveram muito sucesso, já que muitas das lojas que eu tentei ir, estavam fechadas para férias. Taí um costume que eles têm e eu não me acostumo. Em férias de verão, os comércios fecham durante um mês para que todo mundo possa viajar, e quem viaja até lá pra comprar, volta pra casa de mãos abanando!!

Foi então que eu fui ao encontro da minha amiga, que já estava me esperando. Cheguei, me sentei em frente à ela e antes mesmo que começassemos a nos despedir, eu já estava chorando. Não sabia se era de emoção, de tristeza, de saudade, de paz, de alegria. As lágrimas iam simplesmente correndo dos meus olhos sem nem pedir licença pra sair.

Eu disse à ela o quanto eu era grata por esse ano, essa experiência, essa viagem final. Por como ela me convidou a vir ao país dela e sempre me ajudou a me sentir tão bem aqui. Ela estava quieta, mas dava pra ver que ela queria que eu ficasse um pouco mais. Expliquei o quanto tudo isso foi essencial pra mim, mas como é ainda mais importante que eu volte para minha família, pros meus amigos e pra minha vida real, e ela entendeu.

Nós rimos lembrando dos bons momentos, choramos pensando nos difíceis e rimos de novo por termos vencido e vivido cada um deles. Ela me prometeu me acompanhar e dar forças por onde eu for e eu prometi voltar pra vê-la em breve. Entre lembranças e promessas, quase três horas se passaram sem que eu percebesse. Era hora de ir e deixá-la ali fazendo o que ela faz de melhor: alegrar a vida das outras pessoas.

Antes de partir, resolvi tirar uma última foto nossa, que eu divido com vocês:

Depois disso, pronta pra voltar à Lesquin, encarar as três últimas semanas de trabalho com as crianças e, num piscar de olhos, voltar pro meu lar doce lar, peguei meu trem à Lille. Lá, o Pierre e as crianças me esperavam na estação. Ganhei um abraço tão gostoso dos pequenos que já comecei a me lembrar da sensação maravilhosa que é o "chegar em casa".

Passamos um tempão juntos, brindando às férias, dividindo histórias de viagens e entendendo que nossa vivência está chegando ao fim!

Mais tarde, depois de 17 noites mal dormidas, eu finalmente encontrei minha cama. Deitei minha cabeça no travesseiro e me dei conta do que toda essa viagem representou pra mim. Como foram maravilhosos todos os encontros e reencontros com pessoas e lugares. Cada pedacinho de coisa e de gente que veio comigo e que espero ter deixado de mim também pelas minhas andanças por aí. Entendi que no final, o que importa de verdade numa viagem como essa, é aquilo que cada um ou cada lugar faz por você e o que você pode fazer em troca.

Eu voltei pronta. Pronta pro que der e vier!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Madrid, Dublin e Berlim

Tomando a decisão de escrever de uma vez só sobre essas três cidades, talvez eu não dê o valor merecido a cada uma delas. Mas a real é que se eu continuar escrevendo uma por uma, o que cada cidade dessa viagem representou pra mim, eu vou terminar esses posts só quando já estiver aí no Brasil!!! E com isso, perder os relatos dos momentos únicos que estou vivendo nessa reta final. Por isso, peço que aceitem meus resuminhos com amor e eu prometo fazer maiores esclarecimentos pessoalmente, quando estiver por aí!

MADRID


Chegar na grande e cinza cidade de Madrid depois de 10 dias de lindas praias, sombra e água fresca, foi um tanto quanto chocante. Eu visitei todos os monumentos, praças e avenidas que me foram aconselhados. Passei na frente dos museus, igrejas e alguns parques e todos eles me revoltaram por seus preços de entrada. Os únicos lugares em que eu realmente passei um tempo de qualidade foi no Parque del Retiro e no meu albergue!!!
O albergue porque eu dei a grande chance de pagar por um quarto de seis, e ganhar um individual, com banheiro e tudo! Então aproveitei pra descansar, tomar banhos demorados, rearrumar minha mochila que estava uma bagunça... E o parque é um lugar super gostoso e bonito.
Mas como tudo dá voltas, na última noite, achando definitivamente que eu iria embora sem gostar de Madrid, eu fiz um amigo! Um inglês simpático que resolveu mudar minha imagem sobre a cidade me mostrando o que dizem que Madrid tem de melhor: as festas!
Realmente nos divertimos um monte e no dia seguinte eu deixei a cidade e o amigo quase com dor no coração... mas Dublin e outros amigos me esperavam...

DUBLIN

Cheguei em Dublin quase às 21h, onde o Dudu, um outro amigo de longa data, me esperava no aeroporto. Fazia mais ou menos uns quatro anos que não nos víamos. E esses reencontros assim são bons demais, fazem bem pra alma!
Na casa dele, onde ele mora com mais oito pessoas que também estavam recebendo visitas, uma festa já estava preparada. Quase todos os moradores são gaúchos, tudo gente boa!
Já me diverti um monte, logo de cara! Ainda na mesma noite, saímos pra provar o que os Irlandeses fazem de melhor: a Guinness!!
Dia seguinte, com o guia preparado por um outro amigo que já morou por lá (o Cocuguinho), eu saí pro meu turismo, enquanto o Du trabalhava e o resto do pessoal ainda dormia! Além de ir até Malahide, uma cidadezinha próxima, andei Dublin de cabo a rabo, pra ver o máximo possível. E a cidade me surpreendeu. É bem mais bonita do que eu imaginava!
A noite, mais festa e menos Guinness! Coisa que eu deixei pro dia seguinte, quando fui visitar a fábrica onde ela é feita há anos. O lugar é animal, gigante, impressionante! E eu ainda pude aprender a servir uma Guinness com perfeição e tomá-la pra ter certeza que tinha feito direitinho! Saí de lá com certificado e tudo!!
Pra não perder o costume, a noite teve festa de despedida!!! Da qual eu cheguei às 3:30h, troquei de roupa, peguei minha mochila e já saí de taxi rumo ao aeroporto!

BERLIM

Nem preciso dizer que nem vi o vôo e cheguei em Berlim ainda cambaleando! Estava no albergue por volta das 11 da manhã, louca pra deitar numa cama e dormir. Mas é claro que meu quarto não seria liberado antes das 14h.
Juntei todas as forças que me restavam e saí apé pela cidade. Andei, andei, andei mas o sono não passava. Fiz todo o esforço que pude, mas não deu. Acabei voltando pro albergue por volta das 13h, achei um sofázinho e lá fiquei até poder ir pro meu quarto. Às 14:05h eu já estava na minha caminha!!! Descansei até umas 16h, tomei uma ducha e saí com a força toda.
E quem estava lá do lado de fora me esperando!? A chuva!
Decidi que eu e Berlim só nos entederíamos direito no dia seguinte. Então, depois de uma boa noite de sono, acordei cedo e fui fazer o tour da cidade oferecido pelo albergue. Ele podia ser feito em inglês ou espanhol. Eu tinha escolhido inglês, mas por muita sorte, encontrei mais alguns brasileiros e juntos nós descobrimos que uma das guias também era brazuca!
Ela se propôs a nos guiar em português e nos mostrou todos os principais cantos históricos da cidade, explicando cada coisinha, todos os fatos.. Eu aprendi com ela coisa que não aprendi em todos meus anos de colégio!! Foi legal demais!
Depois do tour, ainda deu tempo de conhecer outras coisas que queria. Só perdi a chance de ir num campo de concentração porque eles não abrem às segundas-feiras.
Mas foi outra cidade que me surpreendeu um monte e que eu ADOREI conhecer e entender melhor!

Terça cedinho, depois de 5 mudanças no horário do meu vôo pra Paris, eu finalmente comecei meu percurso de volta.
Mas chega por hoje, né! Essa parte da viagem fica pra um próximo post!

Beijos a todos!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Alicante e Elche

Taí um dos pontos mais fortes da minha viagem: Alicante e Elche. Duas cidades bonitas, aconchegantes e cheias de coisas pra mostrar. E obviamente que não quero desmerecê-las, mas o mais importante dos 3 dias vividos entre as duas, foi, na verdade, a companhia. Foi lá que fui recebida por um amigo querido dos tempos de Emdoc, o Fellipe, e seu marido, que até então eu não conhecia, o Léo.

Cheguei em Alicante de trem por volta do meio-dia. Fiquei procurando a carequinha do Fê na bagunça da estação, mas ele me enganou usando uma boininha!!! Uma vez juntos e abraçados, começamos nossa caminhada. Ele me mostrou um pouco de Alicante sob um sol e calor escaldantes e logo sentamos num bar de tapas, frente ao porto, pra tomar uma cervejinha, beliscar as tapas e botar todo o papo em dia. Não demorou pra que o Léo viesse se juntar a nós.

Mesmo sob o efeito da cerveja e do calor, voltamos ao turismo com a força toda. Subimos um morro que ele vai me matar se souber que eu esqueci o nome, mas que é lindo demais e de cima dele, temos uma visão privilegiada do Mediterrâneo e da cidade de Alicante.

De lá, partimos à Elche, onde eles moram. Foi em casa que eu vi o quanto seria mimada dali pra frente: casa, comidinha caseira e brasileira, banho quentinho e demorado e roupa lavada!!! Além de muita atenção e carinho! Depois de um jantar extremamente bom, seguimos pra noite de Elche. Primeiro uma festa na praia, num lugar muito bonito e depois mais balada, também na praia, em um lugar legal pra caramba. E o comentário pode parecer bem caipira, mas parecia coisa de filme!!!

Domingão, dia de praia. E que maravilha de praia, de sol, de mar e de companhia. No fim da tarde, depois de alimentados e banhados, eu e o Fê fizemos um tour pela cidadezinha de Elche entre suas milhões de palmeiras reais e sua gente simpática.

Descansamos um pouco, saímos pra jantar num kebab muito chique, e nesse meio tempo nos divertimos descobrindo o início da semana de festas municipais. Toda a cidade reunida pras
comemorações, um negócio sem explicação. Dava até arrepio em estar ali no meio daquele orgulho dos habitantes.

Segunda, já era hora de se despedir. Foi com o coração apertado que deixei o Fê na estação e subi no trem que me levaria a Madrid. E ao mesmo tempo, ficamos os dois de coração renovado, por termos curtido um momento tão sincero e cheio de paz e alegria...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Holla Barcelona!


Eu estava ansiosa pra chegar em Barça. A viagem de trem de Perpignan pra lá foi sussegada, mas cansativa. Uma hora de viagem de Perpignan a Port Bou (a divisa entre França e Espanha), onde esperei mais uma hora, e depois duas horas e meia de trem até Barcelona.
Cheguei lá por volta das 14h e até chegar e me instalar no hostel, já eram umas 15h.
Consegui finalmente sair pra o meu primeiro passeio pela cidade por volta das 16:30h. Fui andando, direto pra praia de Barcelonetta.
No calaçadao da praia, fui me divertindo com as figuras que encontrei: um cara andando de bicicleta pelado, gente de todo tipo e nacionalidade e uns vendedores ambulantes que te oferecem desde massagem até a marvada majiguana, como eles dizem.

Tinha combinado de encontrar um amigo de faculdade que está morando por lá e por volta das 20:30h ele passou no meu hostel. Demos uma volta pelo bairro, jantamos e fomos até a área das baladas na praia onde ele trabalha entregando flyers. Esperei ele por ali até umas 2h, quando finalmente entramos pra dançar em duas boates. A noite de Barça é suuuper agitada, as pessoas bem bonitas e as músicas bem legais. Mas tudo extremamente caro. Aproveitamos um pouco e depois voltamos pro meu hostel de Nit Bus, um onibus que circula durante a madrugada.

Quinta foi dia de praia. Fomos a Sitges, um vilarejo vizinho que tem praias mais bonitas e agradáveis do que as de Barcelona. Um lugar lindo, com uma água limpinha, azulzinha e bem gostosa. Passamos uma boa parte do dia lá e depois partimos pra um pouco de turismo. Visitamos pontos como Plaza Catalunya, Hard Rock, Las Ramblas e La Boqueria.

A noite, encontramos com alguns amigos deles pra uma cervejinha e algumas tapas e depois fomos a uma apresentaçao de falmenco catalao MUITO legal. Curti pra caramba ver a dança, o drama e representaçao dos dançarinos e músicos.

Sexta cedo já estavámos turistando novamente. Foi a vez de Sagrada Família, Bairro Gótico, Alomoço tipico na Ramblas, Parc Guell (mto lindo) e Montjuic. No final disso tudo eu já estava acabada!!! Mas nao me dei por vencida; como o sol nao se poe antes das 21h, passei no albergue, vesti o biquini e fui descansar na praia.

A noite, pra nos despedirmos, encontramos mais dois brasileiros e um amigo árabe deles, que nos encantou com as histórias de sua cultura em relaçao ao casamento, namoros secretos, o verao de 68 graus e afins.. tudo isso regado pela última cervejinha de Barça num bar lindo, dentro do Museu de Cera, chamado Bosque das Fadas.

Eles ainda seguiram pra balada dançar, mas como eu tinha que acordar bem cedo pro meu trem a Alicante no dia seguinte, e queria estar nova em folha pra essa etapa da viagem, voltei pra minha caminha no hostel e dormi algumas horinhas antes de acordar encantadissima com a idéia de encontrar um outro amigo por lá!

Mas isso eu conto na próxima!

PS: eu juro que ainda sei escrever em portugues, mas esses teclados gringos me dao preguiça de usar o mapa de caraceteres... vcs me entendem, né?!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Perpignan



Quando a gente viaja assim -de cidade em cidade- cada lugar provoca uma reaçao diferente.

Tem cidade que voce chega e se identifica logo de cara enquanto outras demoram um pouco mais pra conquistar seu coraçao. Tem até algumas que causam um pouco de arrependimento.

Dentre os tres quesitos, é dificil encaixar Perpignan.


Cheguei numa segunda a noite, embaixo de chuva e com um calor abafado. As indicaçoes ao albergue eram um pouco falsas; eles me deram um endereçco de uma grande avenida, mas quando cheguei lá descobri que, na verdade, ele ficava num bequinho da rua de trás. O quarto, pra seis pessoas, dividi com duas mochileiras risonhas de uns 18 anos e mais tres senhoras de uns 63, 65 e 90 anos. E juro que eu nao estou brincando ou exagerando. Enquanto as duas riam sem parar, as duas filhas da mae de 90, ficavam brigando com ela e gritando pra que ela ouvisse e entedesse que o tio Oscar tinha falecido. E ela demorou dois dias pra acreditar!

No dia seguinte, com sol e um pouco mais de energia, resolvi que tudo aquilo ali merecia uma segunda chance. Peguei um onibus e fui até um vilarejo vizinho chamado Canet Village pra curtir uma praia. A praia era grande e muito bonita. A água estava boa e o sol uma delícia. O único problema é que o tempo todo que passei por lá foi coroado com muito vento e - logo - uma boa tempestade de areia. Resisti bravamente até sentir que havia mais areia nas minhas orelhas do que no chao - nesse momento senti que era de voltar pra Perpignan.

Cheguei e fui logo pra estaçao de trem adiantar minha passagem pra Barcelona no dia seguinte. Feito isso, passeei pelo centro comercial, voltei pro albergue tomar um banho e tirar os quilos de areia que tinha no corpo e em todos meus objetos e saí pra jantar. Mas, sem maiores agitaçoes, as 21h já estava de volta pro meu quarto e pra companhia adoravel das velhinhas! Deixei tudo pronto pro dia seguinte, fiquei deitada ouvindo elas discutirem e roncarem até eu conseguir dormir e na quarta acordei cedinho, rumo a Barça!!!







segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Marseille, ma belle


Foram dois dias muito bons e ensolarados que passei em Marseille!
Sabado cheguei cedo, pude aproveitar o dia todo. Andei por quase toda a costa, parando nas poucas praias de areia que encontrava pelo caminho. No fim da tarde subi até Notre Dame de la Garde, que é um lugar maravilhoso.
Pra descansar de toda a caminhada, me instalei num café de frente ao Vieux Port e fiquei ali observando os barcos e os turistas chegando ou partindo... Na noite, sentada sozinha num bar, tive a sorte de encontrar algumas pessoas mto simpaticas que me convidaram a sentar com eles e depois fomos dançar todos juntos.

Domingo pela manha fiz um passeio maravilhoso de barco pelos Calanques, tentei visitar o estadio do time daqui, o Olympique de Marseille, mas nao pude entrar porque ia ter jogo. Aproveitei que estava perto de uma praia que ainda nao conhecia e me instalei por la. Fiquei até ver o inicio do por do sol, muito lindo.

Hoje aproveitei mais um pouco de praia pela manha e agora me despeço daqui, rumo à Perpignon!

Desculpem a falta de acentos, mas meu teclado é frances!!!
Logo postarei algumas fotos!

Beijos e até logo menos!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

J'aime les vacances!

Um dos momentos mais esperados da minha experiência finalmente chegou: minhas férias pela Europa!

Ao longo desses onze meses aqui, fiz diversos planos, trajetos, ideais de viagem. Mudei os destinos pelo menos umas 5 vezes! A idéia original, com todos os lugares que tenho vontade de visitar, me custaria muito mais tempo e dinheiro do que eu tenho disponível nesse momento! Mas eu pensei, estudei, contei e cheguei à uma conclusão que me agrada bastante.

Já passei uma semana na Itália, e apesar de não ter visto tuuudo que eu gostaria, dediquei uma boa parte do meu tempo pra esse país. Assim, ele foi o primeiro a ser excluído dos planos. Depois veio Portugal, que por mais que me chame atenção, me parece menos interessante que os outros. Como tenho muita vontade de conhecer o sul da França e a Espanha, decidi consacrar a maioria dos meus dias à isso. Também não queria ir embora sem antes passar pela Irlanda e Alemanha. E pra fechar com chave de ouro, terminando o sonho no mesmo lugar que ele começou, um último diazinho foi dedicado à Paris!

O itinerário final é o seguinte: Lesquin - Marseille - Perpignan - Barcelona - Alicante - Madrid - Dublin - Berlim - Paris - Lille - Lesquin. Tudo em 18 dias, desde sábado dia 31/07 até dia 17/08.


Durante a viagem, tentarei passar por aqui, pra registrar umas fotos e as principais experiências em cada cidade! Se alguém quiser me deixar dicas nesse meio tempo, fiquem à vontade!!!

E depois que chegar, serão apenas mais 20 dias de França antes de estar de volta ao lar. Já está até rolando um friozinho na barriga!!!!

À bientôt mes amis!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ter amigos/ Ser amigo.


Não dá pra dizer que existe realmente uma diferença entre ter amigos ou ser amigo. A amizade é tão gostosa e recíproca quanto um abraço - você pode até tentar, mas não consegue fazer sozinho. Tão impossível quanto se enrolar com os próprios braços pra sentir um coração grudado ao seu, é tentar ser amigo de alguém que não se importa com você.

Você pode ter uma centena de colegas ou milhões de conhecidos, assim como você pode apertar as mãos de todas as pessoas que cruza num dia, ou cumprimentá-las com um beijo de buchecha. Mas quantas vezes por semana você para pra realmente sentir batendo no peito um coração que não é o seu? Ou então, quantas vezes você atende o telefone com pressa e dá aquele sorriso aberto ao ver que dessa vez é uma ligação de um amigo querido?

Eu posso dizer que sou extremamente feliz por ter os amigos que tenho. Amigos de todas as cores, todos amores, todas origens. Amigos de perto, amigos de longe, amigos de antes e amigos de hoje. Amigos irmãos, irmãos amigos. Amigos família, família de amigos. Tem amigo de todo tipo e, pra mim, todos eles são amigos abraços - pois é quando estamos juntos - de longe ou de perto - que sentimos dois corações batendo num mesmo ritmo, como se fossem um só.

À todos aqueles que sabem que têm seu lugarzinho reservado no lado esquerdo do meu peito, o meu FELIZ DIA DO AMIGO! Acompanhado de um abraço bem apertado, claro!

Não são todos meus amigos que estão presentes na foto, mas ela representa um momento de pura felicidade dividida com gente muito querida!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Quando você enxerga que faz parte dali

Meu primeiro dia em Lille.

Pra alguns tudo acontece muito rápido, pra outros, um pouco mais devagar. Mas desde que você se instala num lugar, em algum momento você passa a fazer parte dele e ele de você. E o mais engraçado, é que nem sempre a gente se dá conta.

De repente você entra num restaurante nunca visto antes e, além de ser recebido de braços abertos, percebe que conhece a filha do dono, daquele outro dia, num outro lugar... Ela não te deixa pagar e deixa claro que espera que você volte logo;
Ou se não, você econtra, num lugar diferente, um senhor que todos os dias passa por você, na mesma hora e no mesmo lugar e te dá aquele bonjour educado e, dessa vez, ele vem até você te pedir desculpas por não ter te reconhecido de cara - como se fossem velhos conhecidos;
Você percebe que faz parte de um lugar quando sai a pé na rua, ouve alguém buzinar, dá aquela olhadinha por curiosidade e vê que era com você mesmo - todo sorridente, dá aquele tchauzinho discreto!


Mesmo sem pesquisar a vida dos outros, você vê que sabe quem mora aonde, quem trabalha com que, a que horas a padaria fecha e quem é o vizinho que esquece de colocar o lixo na rua; ou que o açougueiro é na verdade músico e o prefeito prefere esportes à cultura.
Antes você dava uma volta danada pra chegar em algum lugar, hoje conhece os atalhos, os bons caminhos e os transportes que podem te levar até lá.

Tudo isso te parece tão natural que você nem percebe que acabou criando uma rotina completamente fora daquilo que você chama de vida real. E é ela mesmo - a vida real - que começa a te chamar de volta pro seu mundo.

Então você percebe que é quando se torna parte de um lugar que é hora de deixá-lo ser parte de você. Mesmo que seja na lembrança, num sonho, na essência do que você é.

Depois de umas duas semanas em Lesquin.



sexta-feira, 9 de julho de 2010

Oh! Beautiful London

Já faz algum tempo que eu e Valèrie programávamos uma viagem "em família" para Londres. Escolhemos o primeiro fim de semana de férias das crianças e ela e o Pierre conseguiram a segunda feira de folga. Cerca de um mês antes o hotel e o trem já estavam pagos e reservados.

Sábado, dia 03, 6:30h da manhã, partimos todos com nossas malinhas e cheios de empolgação pra estação em direção à capital inglesa. Na hora do controle pela PF, tivemos o primeiro contra tempo do dia! Por uma confusão, a carteira de identidade da maman tinha ficado em casa. Sem tempo pra buscar e voltar, remarcamos a passagem dela pro próximo trem e eu, papa e as crianças seguimos viagem.

O percurso é muito rápido, em pouco menos de uma hora e meia já estávamos dentro da estação de Londres. E se não fosse pelos ouvidos que entopem, ninguém poderia dizer que passamos pelo canal da mancha. Parece um túnel de estrada, como os infinitos da via Imigrantes...

O combinado era deixar as malas no hotel e voltar pra estação encontrar a Valèrie. E foi o que fizemos. Só não contávamos com uma crise de todos os metrôs e DLR's que ligavam a estação ao nosso hotel. Tudo parado e fechado. Passamos mais tempo trocando de trens e andando com as malas do que no percurso Lille-Londres.

Eu estava tão feliz de estar lá que nada disso poderia estragar meu fim de semana. Por volta do meio dia é que estávamos todos juntos de novo, prontos pra explorar a terra de Queen Elizabeth!
Começamos pelo almoço e logo depois metrô em direção a St. Paul's Cathedral.


Super bonita por fora! Mas infelizmente não pudemos entrar pois estava fechada para um evento da igreja católica.

A pena duas da tarde e um único ponto visitado e os pimpolhos já estavam cansados da caminhada. Para eles relaxarem um pouco, fomos ao Hyde Park. Pra quem não conhece é um parque enorme, super bonito onde fica a fonte em homenagem à Princesa Diana. No meio dele tem um lago enorme onde as pessoas andam de pedalinho e outros barquinhos. Pros menos aventureiros, é possível alugar umas cadeiras ao torno do lago e passar um momento de paz por ali. E foi o que fizemos.

Mais descansados, partimos para Tower of London e London Bridge.
E este segundo me impressionou especialmente. Que lugar lindo e cheio de vida. Uma delícia ficar ali, observando os barcos passarem pelo Tâmisa. Fiz um monte de fotos, andei pela borda do rio e me esbaldei ouvindo e falando inglês. Me fez lembrar o quanto eu gosto dessa língua também!

Depois disso foi hora de voltar pro hotel, tomar uma boa ducha e se preparar pro dia seguinte.

No domingo resolvemos fazer o passeio nesses ônibus de turismo de dois andares. Era mais prático e confortável pras crianças e não estando fechados dentro do metrô víamos mais a cidade.
Passamos pelos principais pontos: London Eye, Big Ben, Westminter, Madame Tussauds, Picadilly Circus... e por aí vai... A única coisa que não consegui ver foi o Palácio de Buckingham, pois bem na hora que passamos estava rolando a troca de guardas. Tinha gente por todos os lados e a Valèrie achou melhor não descer ali com as crianças...

Acabado o tour, partimos pra Brick Lane almoçar num indiano. Comemos super bem e depois ainda passamos por um mercado de rua onde trabalham muitos indianos que vendem de tudo a preço de nada!

Nosso tour incluía um passeio de barco pelo Tâmisa e lá fomos nós. O guia falou o tempo todo em inglês e eu fiquei muito feliz de compreender o british english dele... Quem não gostou muito foram as crianças, já que ele não parava de falar e eles não entendiam nada!!!! Mas o passeio foi muito gostoso e nos permitiu ver os pontos de outro jeito!


Aproveitamos o fim da tarde pra dar uma passada em Covent Garden onde encontramos vários artistas de rua dando seus espetáculos, gente por todo os lados e muitas lojas legais. Sem que eu percebesse, mais um dia já tinha se passado.

Nosso hotel era muito bom, mas tinha seu defeito. Era bem afastado do centro da cidade, então na noite, como as crianças dormiam cedo e eu tinha que acompanhá-los não pude ver a capital iluminada...

Na segunda de manhã, depois do check out e de deixar nossas malas na estação, tentamos entrar em St. Paul outra vez. Mas dessa vez foi o preço que nos impediu. Mais de 12 libras por pessoa, pra uma família de cinco, chega a ser meio absurdo. Fiquei um pouco revoltada por ser cobrada tão caro a entrar numa casa de Deus e sugeri que mudassemos os planos. Eles não demoraram a concordar já que partilhavam da mesma idéia!

Resolvemos descobrir Camden Town. Ficamos tão maravilhados num mercado que levava o nome do bairro, que acabamos confundindo-o com o Camden Lock Market... o verdadeiro e booom mercado da região. Quando percebi, já era tarde demais e hora de voltar pra estação almoçar e pegar o trem de volta.

Chegamos em casa por volta das 17h de segunda, um pouco cansados mas bem felizes com nosso fim de semana. Me deu uma vontade louca de voltar, ver tudo que eu não vi e andar por aqueles cantos - mas não dessa vez!

Por coincidência, quando abri meus e-mails em casa, vi que uma amiga inglesa tinha me escrito perguntando se eu tinha interesse em passar pelo menos seis meses em Londres como au pair de uma família de lá... Li bem, analisei os fatos e cheguei à conclusão que Londres sim, mas au pair de novo - ah, isso não vai dar não!!!!!


I wish you a very nice weekend, folks!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Começo do fim

Depois de um belo e ensolarado fim de semana em Paris e de um bom jogo classificatório da Seleçâo hoje foi dia das minhas primeiras despedidas à algumas pessoas por quem criei um grande carinho nos últimos meses: as mamies da aula de ginástica!

Como aqui o ano letivo vai de setembro a julho, tudo acaba e pára no fim de junho. Todo tipo de escola, curso, faculdade - instituições de ensino no geral. Se precisar daquele documento super importante que só a secretaria da faculdade pode te dar, esqueça! Antes de setembro você não terá acesso à nada! Mas enfim, tudo isso pra dizer que hoje foi o último dia do curso de ginástica com as senhorinhas de Lesquin! E depois disso, a sala ficará fechada até dia 06 de setembro, quando elas recomeçam e se reencontram. E eu estarei, provavelmente ao mesmo tempo, dentro de um avião - voltando pra CASA!

Não teve dança, nem musculação ou abdominal. Foi uma longa sessão de relaxamento e alongamento pra nos preparar pra praia, calor e caminhadas embaixo de um sol de 30 graus que tá pintando por aqui! E seguido de tudo isso, outra sessão de beijos, agradecimentos e desejos de boa sorte pra quando estiver de volta ao meu país. Realmente umas queridas. Me receberam com carinho e respeito desde o início no meio delas e foi da mesma maneira que se despediram.

Fiquei muito feliz e senti o coração abraçado! Ao mesmo tempo deu aquele medinho.. um friozinho na barriga que me fez lembrar que só tenho mais dois meses aqui. O jeito como elas falavam que setembro está aí.. ai ai ai!! E pior - ou melhor, não sei! - é que ele está mesmo.

A programação daqui pra frente é de mais despedidas das copines que partem antes que eu, viagens, sol, férias das crianças e finalmente: minhas férias de verão! Depois, num piscar de olhos estarei de volta ao lar. Acordarei do meu sonho e de volta à realidade. E vocês podem não acreditar, mas a realidade está me fazendo muita falta! Acordar cedo, pegar trânsito pra ir trabalhar, passar o dia sentada na frente do computador e ser interrompida num momento crucial pelo telefone! À noite: esportes, cursos, jantares com as amigas, visitas aos irmãos... Mas principalmente dormir e acordar ao lado das pessoas que eu amo!

E eu sei, ninguém precisa negar. Vocês também estão morrendo de saudades de mim! É normal, eu sou uma pessoa muito agradável e minha ausência deve ter deixado um certo vazio na vida de vocês! Hahahahahaha Pros saudosos de plantão: podem começar a contagem regressiva - eu já to no começo do fim!

domingo, 20 de junho de 2010

A Copa da SeleçÂo!

Quando a gente é brasileiro, é brasileiro em qualquer lugar - e tem orgulho disso. Principalmente quando se trata de futebol.
Desde as vésperas do ínicio da Copa do Mundo que eu venho escutando apostas de vitória, piadas e frases cheias de expectativas pelo desempenho da, como eles dizem, Seleçâo. É engraçado como todo mundo nos reconhece pelos bons jogadores de futebol e, a maioria, nos tem como segunda opção - se meu país não ganhar, quero mais é ver o Brasil em campo.

Eu sempre gostei de torcer, assistir jogo, vibrar com os gols ou boas jogadas, xingar juíz de ladrão, sofrer as perdas. Tudo isso tem pra mim o mesmo valor que um bom filme. São duas ocasiões em que eu me transformo, coloco a adrenalina e os sentimentos (bons ou ruins) pra fora. Saio de um jogo assim como saio de uma sala de cinema - de alma limpa! E olha que eu tô longe de ser torcedora roxa, de entender de bola, ou mandar bem nas embaixadinhas. Acho que é instinto de brasileiro.

Esse ano de Copa longe de casa, longe dos bares com telão, cerveja e amigos me fez entender muito mais sobre a paixão do brasileiro pelo futebol. Me fez acreditar mais na importância da vitória, compreender porque pra nós toda copa é a copa da vez. A gente vive o futebol. Não deixa de trabalhar pelo filho doente, mas deixa em dia de copa ou de clássico. Milhões dentre nós nem sabem distinguir um ataque de uma defesa, mas vestem a camisa e jogam junto com o time do coração até os 45 do segundo tempo. Isso tudo é bem visto pelos estrangeiros - pelo menos pelos que eu encontrei por aqui - e vale lembrar que não conheci nenhum argentino!

Eles tem grande prazer em torcer por nós, em nos ver torcer e até em nos ver ganhar. Em casa com a famille, dia de jogo do Brasil é quase mais importante que dia de jogo da França. Enfim, foi mais importante, já que les bleus: já eram! Fizeram um papelão dentro e fora de campo. Muita palhaçada e pouco futebol. O legal é que noventa por cento dos franceses que eu conheço já me disseram mais de uma vez que ainda bem que eu estou aqui, assim eles tem uma desculpa pra torcer pelo Brasil. Eu até fui solidária no começo, querendo ser recíproca na torcida, acompanhei os jogos da França com eles fingindo apoiar, mas meu coração verde e amarelo queria mais era ver os azuis de volta pra casa! Pra mim, se não for Brasil, não preciso nem assistir a final, deixa de ser importante!

Tô torcendo pela Seleçâo de corpo e alma, com vontade de ver o hexa na casa de quem nos robou o penta em 98. Meio vingativa eu diria... Vontade de gritar aos quatro cantos que o que é nosso ninguém tira!

Mas não foi só sobre o Brasil que a visão mudou. Pros interessados pela minha volta, vai uma boa notícia. Eu agora tenha três motivos que me impediriam de morar aqui pra sempre:
- O clima,
- As greves e
- O futebol!!!

Allez les jaunes!!!
Seis beijos pra seis estrelas!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aproveite.

Esses dias, durante um curso de francês, eu aprendi a origem das palavras BONHEUR e MALHEUR que em francês significam respectivamente Felicidade e Infelicidade.
A simplicidade e a inteligência com que elas foram formadas me fez admirar ainda mais essa língua e os velhos franceses que criaram tudo isso. Tá certo, eles complicaram um monte minha vida colocando três acentos em uma palavra só, milhares de tempos verbais e um biquinho diferente pra cada utilização da letra U. Mas eles também me deram a vontade de aprender, escutar, e, dessa vez, de escrever sobre as usuais reflexões em torno da felicidade.

Deixa eu explicar: Bonheur não é nada mais do que a junção das palavras Bonne (boa) e Heure (hora), e Malheur é exatamente o contrário. Uma boa hora, um bom momento - e não é só disso que é formada a felicidade? De receber uma flor pequena e amassada arrancada do jardim da escola depois de um dia cansativo. De uma mudança de apartamento. Do fim de uma contrução de 2 anos que finalmente nos dá um lar. De um emprego mais perto de casa. De um emprego mais desafiador. De um sorriso de um bêbe. Da notícia de um novo bêbe. Das borboletas no estômago causadas por um novo amor. Do primeiro dia de aula, e do último também. Da divisão de sentimentos. Da troca de carinho. De um e-mail daquele amigo tão querido. De uma palavra. De um gesto.
E o contrário? Não é ele também rápido e passageiro? Um mau momento de trânsito. A batida de um carro. A dor física. A perda de uma pessoa querida - pra vida ou pra morte. A falta de companhia. O cansaço. O medo. A lágrima. O Adeus. O escuro - do quarto ou da alma.
Tudo isso passa. Cedo ou tarde, passa.

Mas é das coisas boas que eu quero falar. Quero falar de abraços, de piadas, de músicas de infância. Quero gritar a realização de um sonho, o amor, a paz. Quero incentivar o perdão, a coragem, o sorriso. Quero agradecer a amizade, a família, a iniciativa. Quero ser o bem, a sorte, o refúgio. Quero dividir a palavra, a idéia, a gargalhada. Quero que seu dia comece e termine com um sorriso no rosto, mesmo que você tenha más horas entre esse tempo. Quero que a sua vida, assim como a minha, seja um coletivo de bons momentos - afinal não são eles, a tradução ao pé da letra da felicidade?
Pare de buscar lá longe. Tá tudo aí bem pertinho de você, do jeito que você plantou é o jeito que você colher!

Que cada hora, boa ou má, seja vivida intensamente por cada um de nós!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Eu tenho uma boneca assim....

O começo do meu relacionamento com a Jeanne não foi nada fácil. Desde que cheguei aqui ela queria mostrar que era ela quem mandava, impor suas regras, não se aproximar de mim e nem brincar muito comigo... Coisas que eu entendi perfeitamente, dada a situação. Mas o que ela não sabia é que eu não me daria por vencida tão cedo! Levou cerca de um mês pra que, com meu jeito, eu conquistasse seu respeito e confiança, e a partir daí, é que vieram a amizade e o carinho.
Talvez vocês se lembrem que nessa época mais complicada, uma das coisas que fiz pra mostrá-la que eu realmente me importava, foi participar de uma das excursões da escola, ajudando a professora a cuidar das crianças - coisa que marcou totalmente a mudança da maneira como ela me via aqui.

Hoje, às vésperas de completar nove meses de casa, eu posso falar de boca cheia que o que temos é uma relação deliciosa baseada no respeito e no amor. Eu compreendo as necessidades e inocências infantis dela e ela entende o porquê das minhas regras, broncas e preocupações. Tudo isso se transformou numa relação tão natural que às vezes, sem nem perceber, ela me chama de mamãe; depois me olha, dá risada e pergunta se eu ouvi que ela se confundiu mais uma vez... Eu, por minha vez, tenho ela como minha bonequinha, com quem eu brinco de casinha todos os dias... me faz pensar na velha musiquinha da boneca de Paris, que eu sempre gostei tanto, e que, aparentemente, se tornou realidade!

Tem meses que ela não me dá nenhum trabalho ou problema. Às vezes ela faz umas besteiras, como há umas duas semanas quando ela cortou a toalha de mesa da mãe dela. Mas basta conversar, dar um casitguinho de leve, que ela reconhece o erro e não o faz mais. Como minha estadia com a famille e o ano letivo dela estão chegando ao fim, resolvi que estava na hora de recompensá-la, da mesma maneira que tudo começou. Me ofereci à professa para acompanhá-los na apresentação do coral da escola numa cidade aqui perto. Desde o momento que ela disse sim, até a excursão acabar, a Jeanne não parou de me beijar, abraçar e agradecer. E é vendo essas coisas que a gente percebe o que o uma criança realmente quer - e é tudo tão simples. Você dedica três horas do seu dia pra estar ao lado dela e pronto - você é o maior ídolo que já existiu na face da terra. E que Superman, que nada!

Fomos nós, terça-feira, dia 01 de junho. Eu, Jeanne e mais 28 crianças! Foi a mesma euforia da última vez, um monte de baixinhos me rodeando, querendo me dar as mãos, me contando as cores dos seus carros, onde eles moram, ou quando foi a última vez que eles fizeram xixi nas calças. Ela, toda orgulhosa, não largou da minha mão direita, e explicava a cada um que se aproximava: "Ela chama Estelá e vem do Brasil. Lá ela fala brésilien, mas aqui ela fala francês porque ela é a MINHA tatie." Hahahah foi engraçado e emocionante.

O coral então, nem se fale. Ver aquelas pessoinhas ali no palco, todas sorridentes, cantando tudo errado, mas se sentindo os maiores artistas da França. Ela que me mandava um tchauzinho a cada fim de música e que no fim veio correndo me abraçar e perguntar minha opinião. Que claro, era a mesma que a deles: vocês são os melhores artistas da França!
E, se vocês assistirem ao meu vídeozinho abaixo, talvez também concordem comigo!




Não sei como será a nossa separação, mas tenho a impressão que não será tão difícil quanto ela se anuncia. Pra ela é a quarta vez que isso acontece, pra mim, não é nada comparado ao que foi deixar minha família por um ano pra viver tudo isso. Acho que assim como o início de tudo, o fim será um pouco complicado, mas natural.

Sei que estão de feriado prolongado por aí. Desejo um ótimo fim de semana a todos e que aproveitem bastante!
Fica nosso beijo:

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A chegada do nosso velho amigo - o Sol!

Tudo bem que ontem choveu quase o dia todo, começou umas 5h da manhã e foi parar por volta das 16h da tarde. Mas ok, eu sou otimista, acredito na chegada do sol e, de qualquer maneira, vim aqui pra falar dele e não da chuva - ela já teve sua vez!

Desde quinta passada que estamos aproveitando o calorzinho que vem chegando. As pessoas já estão saindo na rua com seus shorts, saias, vestidos e bermudas. Até eu, que estava mais ansiosa que eles, já guardei todos meus casacos de lã e blusas pesadas na mala, abrindo espaço no meu armário pras cores e levezas do verão!

O sol nasce cedinho e só vai se deitar por volta das 22h. Além de dar mais ânimo pra tudo, é uma delícia ver o dia durar e render, jantar no jardim de óculos de sol e, acreditem ou não, até já consegui dormir sem meia!

A fim de aproveitar ao máximo, já sabendo que nada disso dura muito, sábado decidi passar o dia na praia. Com a minha amiga espanhola, a Helena, peguei um trem e fui até Dunkerque - uma praia do litoral norte, que fica a mais ou menos uma hora de Lille. Saímos daqui com um calor escaldante, e chegando lá - adivinhem? Um céu cheio de nuvens, muito vento e a praia deserta. Eu, com biquini, canga e protetor solar na mochila, tive uma grande decepção - além de passar frio! Mas nada estava perdido. Sentamos num restaurante a beira mar, onde passamos umas duas horas aproveitando de uma boa salada e de algumas bolas de sorvete. Por volta das 14h, o sol resolveu dar as caras; e os locais também. Saímos pra dar uma caminhada e vimos de tudo. Gente tomando sol de biquini atrás de seus pára-ventos, criança na água, casais de velhinhos passeando de mãos dadas em seus shorts e chinelos estilo Rider.. enquanto eu e Helena (parece uma cena de novela do Manoel Carlos, eu sei!) andávamos quase correndo, fugindo do vento e do frio que ultrapassava nossos trajes praianos! Conseguimos um lugar ao sol, atrás de uma duna, onde sentamos pra dar uma lida e aproveitar o fim da tarde.
De volta à Lille, umas 19h, reencontramos o calor. Talvez fosse aqui mesmo que devessemos ter ficado pra dar uma bronzeada, mas, sem dúvida, valeu o passeio até lá.


Domingo, foi dia de praia de novo, dessa vez com a famille Sagot. Acordamos cedinho e fomos em rumo de Boulogne sur mer, outra praia da região, onde mora a Mamie Jo, a vó das crianças. Dessa vez eu me preveni. Saí de calça jeans, sapato fechado e jaqueta, levando um casaquinho de lã na bolsa! É óbvio que quando eu cheguei lá, estava super calor e eu quase cozinhei dentro da minha calça! Independente disso, o dia foi uma delícia. Além da mamie, estavam lá a irmã da Valèrie com o marido e os filhos. Tomamos champagne, almoçamos na varanda e nos deliciamos com a sobremesa, que eu me encarreguei de preparar: Mousse de limão, bem geladinho.
Depois daquela preguicinha pós-almoço, foi hora do passeio na praia. Outra vez, eu era o peixe fora d'água. Todo mundo torrando naquele sol delícia, com suas roupas de banho, vestidos ou bermudas, e a bonitona de calça jeans. Bem coisa de turista mesmo!
Mas como comigo + sol não tem erro, eu dobrei as barras, estiquei minha canga no chão e li quase um livro inteiro deitada na areia, enquanto as crianças construíam seus primeiros castelos de areia do ano.
Ainda ficamos pro jantar, pra mais champagne e só então pegamos o rumo de volta pra casa. Vimos o pôr do sol na estrada e quando chegamos aqui, umas 23h, nem dava pra acreditar que já era assim tarde, visto a cor do céu.

Segunda feira foi o quarto feriado do mês de maio. Fui acordada umas 8:15h por uma grande motivação de me exercitar. Depois de um bom café da manhã, saí pra uma boa caminhada acompanhada do meu bom amigo sol. Aproveitei pra apreciar o quanto ele estava bonito, agradável e me lembrar do quanto ele me faz bem, me põe pra cima. Andei umas duas horas, ouvindo uma musiquinha e curtindo muito o momento. Por alguns instantes, confesso que me senti no Brasil, num tempo passado, onde depois de uma boa volta de bike ao sol com meu pai, íamos pra casa da minha vó Eliza, comer o churrasco preparado pelas mãos sempre sujas do meu vô Atílio!!!!
Chegando em casa, foi a minha outra família que encontrei. Ri muito ao encontrar os Sagots no jardim, com seus maiôs, preparando o que eles chamam de churrasco. Quis fazer uma caipirinha pra brindar o momento, mas me faltaram ingredientes, então ficamos no kyr mesmo! Dessa vez, com meu armário à minha disposição, não passei frio nem calor. Subi, vesti meu biquini e me juntei a eles. Depois de tomarmos sol, comemos no jardim, o tal do churrasco: um monte de linguiça com um pouco de salada! Foi mais um dia de sol muito bem aproveitado.

Terça, de volta pra realidade. Quarta com chuva e quinta em casa, com a pequena Jeanne, já que, apesar do Sol, ainda estamos na França, e a professora dela resolveu que hoje era um bom dia pra fazer uma grevezinha, de leve!!! Eu até compreendo, com um sol desses, quem quer ficar fechado numa sala com 31 alunos barulhentos!?

Bienvenue Soleil!
Bisous!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Um dia de paz!

Depois que acabei o primeiro semestre do meu curso de francês, que era às terças e sextas, e decidi que no segundo faria apenas uma vez por semana (já que é praticamente a mesma coisa), minhas terças-feiras são sempre dias que, das 9h às 17h, posso dedicar inteiramente as minhas vontades e pequenos prazeres - desses que a gente só pode viver quando não leva aquela vida corrida de normalmente. Assim, cada terça, além de começar o dia na ginástica com as mamies, eu aproveito pra resolver tudo que preciso, passear por Lille, ir ao cinema e afins..

Mas hoje, estava com vontade de fazer algo diferente. Vontade de me afastar um pouco do mundo real, curtir o sol que começa a dar as caras, estar em contato com a natureza... Munida de um delicioso sanduíche fait maison, uma salada de frutas, um bom livro e uma canga, me dirigi ao Citadelle, um grande parque de Lille, que além de contar com tudo que um bom parque pode oferecer, comporta um parque infantil e o zoológico da cidade.

Cheguei lá por volta do meio-dia. Rodei bastante até achar um lugar que me inspirasse paz - é fato que assim que eu sentei, uma escola com umas cem crianças e uns vinte professores, se instalaram seu pique-nique bem na minha frente, mas isso não me perturbou nem um pouco! Estendi minha canga ao sol e almocei meu lanche natural observando as pessoas que passavam por ali. Antes de partir pra sobremesa, dei uma alongada nas pernas, deitada olhando pro sol. Aproveitei pra convidá-lo a me acompanhar por aqui até o fim da viagem. Depois de bem alimentada, fiquei ali alguns minutos deitadinha, lendo um pouco do meu livro e dando risada sozinha!

Aproveitei também pra conhecer o zoológico. Eu estava tão em sintonia com a natureza ali, que parecia que cada um dos animais me cumprimentava no instante da minha passagem. Era como se eles pudessem expressar, de alguma maneira, que estavam felizes em me ver. Grande viagem, né? E sem uso de nenhum entorpecente! A única coisa que me irradiava essa energia, era um grande sentimento de paz interior.

Ainda, antes de voltar pra vida real de babá, escolhi uma árvore bem grande, estendi minha canga mais uma vez e me encostei ali pra ler mais um pouco - só parei quando o sol me lembrou que estava na hora de seguir caminho pro meu trem.

Andei muito e a ginástica dessa manhã foi super pesada, meu corpo está um caco, pedindo cama e uma boa noite de sono. Ao contrário da minha alma, que está renovada, e querendo distribuir essa boa energia por aí.

Que a minha paz de hoje, seja a paz de vocês de sempre!
Um bisou bem bem beeeem sucré!

sábado, 8 de maio de 2010

Obrigada - Merci - Thanks - Grazie - Gracias - Dank!

Meus queridos! Agradeço infinitamente a participação no meu abaixo assinado, por consipirarem ao meu favor junto ao universo, e principalmente pelas tantas palavras e demonstrações de carinho.
É difícil explicar o quanto isso tudo me faz bem! Fico nas palavras simples, mas sinceras: AMO VOCÊS! Leio e releio as mensagens pelo menos uma vez por dia - obrigada de coração!

E tenho boas notícias. Tudo isso está realmente funcionando! Ontem, no meu curso, fiz amizade com quatro meninas muito simpáticas: uma inglesa, uma alemã, uma espanhola e uma montenegrina! Passei algumas horas com elas ontem e hoje já combinamos de nos encontrar mais uma vez!

Mais uma prova de que mesmo a dez mil quilômetros de distância, ter vocês ao meu lado, faz minha vida muito mais feliz!

Um fim de semana maravilhoso pra todo mundo!
Gross Gross BISOUS!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Abaixo assinado!

Voilà meu primeiro post do mês de maio. Quase oito meses se passaram desde que inaugurei esse blog. Desde então, tudo foi divido com vocês. Frio, saudade, medo, alegrias, paz completa, diferentes formas de amor e interesse, as visitas que recebi, as pessoas que visitei.

Nesse tempo todo eu reclamei, gostei, aconselhei. Comi, bebi, experimentei. Fiquei, saí, viajei. Li, escrevi, recebi e mandei. Olhei, ouvi, respirei. Liguei, calei, cantei, contei, falei. Passei, errei, mudei...é tanta coisa, tanto ei! E tem também um pouco de i, já que a cada minuto cresci, vivi e aprendi.

O blog eu não sei, mas minha experiência aqui está entrando na sua reta final. Parece que quatro meses é tanto tempo, mas cada vez que eu abro os olhos, mais uma semana já se foi. Assim, já comecei a fazer listas do que me falta fazer, ler, comprar, visitar. Dá aquele medinho de deixar alguma coisa pra trás! Não tenho medido esforços pra que essa viagem seja também uma experiência de, como eles diriam aqui, me faire plaisir - ao pé da letra: me fazer prazer, aos meus olhos: satisfazer minhas vontades, me agradar.

Lendo um livro* (pela segunda vez), aprendi com a autora um conselho que vale também pra vocês. Não importa se sua vida está indo bem ou mal, se você está cheio de dificuldades, ou naquela correria de sempre; pelo menos uma vez por dia, faça alguma coisa por você, algo que você quer, sem razão, sem pensar em mais nada. Dê-se ao luxo de agradar-se com pequenos prazeres: parar pra ouvir uma música no último volume, comer um doce cheio de calorias sem culpa, ligar praquela pessoa querida que você não fala há meses, andar sem rumo, sei lá - você escolhe. No final da semana, você vai olhar pra trás e ver que teve ao menos sete bons momentos pra te alegrar.
Isso me ajuda nos dias que eu acordo com o pé esquerdo e me incentiva nos de direito. É assim que tenho vivido aqui: em busca de realizações pessoais. Com tudo isso tenho alcançado momentos de pura paz interior, pura alegria.

Mas, como nem tudo é perfeito, ficou algo que eu não consegui fazer, apesar dos grandes esforços, e que é meu objetivo pros futuros meses aqui: Amigos! Seria injusta se dissesse que não tenho amigo nenhum: conheci a Shana que é uma grande querida e com quem divido diversos momentos aqui, bons ou ruins, estamos sempre nos ajudando. O problema, é que nossas cidades são distantes e não dá pra ter aquela companhia presencial, de dia-a-dia. É disso que eu sinto falta. Pegar o telefone, ligar pra alguém pra bater um papo, combinar um almoço. Passar um sábado na rua, amiga de fazer compras, amigo de tomar uma cervejinha, gente pra dar risada, uns rolés.

Como sei que tentei, e não foi pouco, cheguei à conclusão de que talvez eu não tenha sabido mostrar ao universo que eu não sou assim tãoooo feliz sozinha. Apesar de adorar minha própria companhia, quando é demais, o assunto acaba, fica chato!!! E por isso, venho pedir a intervenção de vocês. Mais uma vez baseada numa idéia do mesmo livro, resolvi fazer um abaixo assinado e entregá-lo ao universo. A idéia é sensibilizar todos meus amigos (já feitos) e família a assinar esse post.

Se você concorda com a idéia de que eu não posso passar meus últimos quatro meses de França sempre sozinha, que boas companhias podem me fazer muito bem, que eu tenho direito a testar minhas piadas ruins também em francês (ou inglês - o universo tem direito de escolhar a nacionalidade dos amigos!), que eu posso fazer bem a alguém, que o mundo é mais interessante ao lado de gente interessante: assine esse post. Entre nos comentários e deixe sua assinatura.
Se você não concorda com nada disso, assine mesmo assim - você já teve o trabalho de ler tudo isso mesmo!

Tenho certeza que unindo forças, o universo vai nos ouvir! E se ele não ouvir, pelo menos eu vou me convencer que com amigos como vocês, eu não preciso de outros por aqui!


* Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert

terça-feira, 27 de abril de 2010

Alguém tem um chicletinho, aí?

Finalmente cá estou eu de novo!

As duas últimas semanas foram tão corridas e repletas de coisas boas que não deu nem tempo de escrever antes, embora eu tivesse muita coisa pra contar! Tudo isso, porque foi nesse tempo que recebi a visita tão esperada de meus pais, minha irmã e minha sobrinha.
Foram 18 dias de alegria, aventuras, momentos maravilhosos, diversão e, claro, de muito amor! Curtimos muito a companhia uns dos outros.

Antes de começar a ler, é importante saber que eu demorei mais de 2 horas pra escrever esse post, ou seja, há muito pra ser lido. Se você estiver com pressa, pode ler só as palavras em negrito, elas resumem bem cada tópico.

AVENTURA INICIAL - ou - O dia em que quase dormimos na rua.

Tudo começou dia 09/04. O dia da chegada deles, programado e revisado na minha mente pelo menos umas 589 vezes e meia! Deveríamos nos encontrar no aeroporto às 16h, eles chegavam de avião e eu de trem, 16:15h o taxista, já reservado, viria nos buscar pra estarmos no apê que alugamos em Paris por volta das 17h/ 17:30h, onde a zeladora estaria nos esperando. Porém, a França é a França. Não só o país dos queijos e vinhos, mas também - e principalmente - o país da greve. Assim que cheguei na estação de Lille, soube que meu trem tinha sido cancelado, e se eu tivesse sorte e fosse bem rápida, poderia pegar um que sairia uma hora depois do previsto. Pra resumir, eu cheguei no aeroporto umas 17:40h, encontrei com eles chorando de emoção e raiva da greve ao mesmo tempo. Até conseguirmos parar de nos beijar e abraçar, já era mais de 18h, e claro que nosso taxi não estava mais lá. Conseguimos um segundo, pegamos um trânsito enorme, e chegamos finalmente ao prédio, às 20:15h, onde, obviamente, a zeladora não estava nos esperando! O horário dela era até às 20h, e como não dá pra tirar a razão de Murph, nada é tão ruim que não possa piorar. O telefone que o proprietário do apê me passou, estava errado.
Quando um primeiro morador do prédio passou por nós, perguntei se ele sabia como eu poderia encontrá-la e ele me disse que ela morava lá, então em algum momento, ela iria aparecer. Sem pestanejar, montamos acampamento ali na frente e ela realmente apareceu. Gritou, xingou um pouquinho, mas abriu a porta pra nós. Por volta das 22h, estávamos finalmente instalados, quentinhos, confortáveis e - o mais importante - juntos.

PARIS - ou - Kiwi xuco xuco

Ficamos em Paris do dia 09 ao dia 14. Nosso apê era pequenininho, mas bem confortável e super bem localizado. Desenvolvemos uma logística pra fazermos nossos passeios sempre apé, de trem ou metrô. A Luiza se mostrou uma super companheira de viagem, sem dar trabalho, sem reclamar e gritando OBA OBA OBA cada vez que via um trem ou metrô (que não foram poucos!). Pra brincar com ela, eu quis ensinar que o trem fazia o barulho: Piuii, xuco, xuco, xuco. Ela gostou da idéia, olhava pros Parienses cansados dentro do metrô às seis da tarde e cantava Kiwiii, xuco, xuco. Eles não sabiam o que ela estava dizendo, mas foram poucos os que não sorriram.
Visitamos todos os lugares lindos que Paris tem a oferecer: Torre Eiffel, Champs- Elysées, Louvre, Jardim do Champ de Mars, Sacré Coeur, Montparnasse, Moulin Rouge, Catedral de Notre Damme, Castelo de Versailles e o magnífico show de luzes da Torre durante a noite (e nesse programa, estávamos bem acompanhados de uma boa garrafa de vinho francês).
Paris é linda, não tem outra maneira de descrever. É difícil ver uma coisa e não gostar, e ao lado de quem a gente ama tanto (e não vê há sete meses) parece até mentira. Nos momentos que eu duvidava que aquilo fosse real, eu olhava ao meu redor, sentia os dedos deles entrelaçados nos meus e concluia - não podia ser mentira, era pura paz!

AMSTERDAM - ou - Brasil na Holanda.

Da outra vez que eu fui à Amsterdam eu expliquei aqui quem era a Dani que me recebeu por lá. Pra quem não lembra, é a cunhada da minha irmã que mora lá com a família. Um anjo em forma de gente. Mais uma vez, nos recebeu extremamente bem.
Chegamos lá no dia 14 à tarde, e ela e os meninos (Victor e Eric) já estavam nos esperando ansiosos na estação. Sem palavras pra recepção deles ou pra explicar o reencontro da Lulu com os primos e a titia. Na casa dela, nos esperava um delicioso bolo de fubá, café, empadinha e tanto carinho que o sentimento era quase tangível!
Foram mais quatro dias de colírio pros olhos. Passeamos um monte apé, de barco, de carro, de tram, conhecendo e curtindo cada detalhe daquela cidade maravilhosa, pelos olhos de uma local! Nada escapou da programação: muitos parques lindos (o passeio preferido da Luli!), os canais, as bikes, mercado das flores, praças, moinhos, os tamancos de madeira...
Estar lá, com tanta gente querida, com direito a colo de pai, mãe e irmã, sorriso da afilhada 24 horas por dia, carinho da família Stols e até rede Globo foi como estar no Brasil sem sair da Europa.

Foi também lá que soubemos sobre o vulcão em erupção na Islândia. Meu pai deveria embarcar de lá pra Espanha, onde ele faria o caminho de Santiago de Compostela - com todos aeroportos fechados foi impossível. Pra nós, acabou sendo melhor, já que ele passou mais tempo conosco e teve a chance de vir pra Lesquin e conhecer minha casa e a família Sagot.

LESQUIN E LILLE - ou - Como eu descobri que a família Sagot gosta de mim.
Não que eu achasse que eles me detestassem. Eu sempre soube que desenvolvo um bom trabalho com as crianças aos olhos deles e que passamos bons momentos todos juntos. Mas é difícil entender palavras e expressão de sentimento na língua e cultura dos outros, menos quando eles decidem falar pra sua família a diferença que você faz ali.

Chegamos no domingo dia 18. O Pierre foi nos buscar na estação e nem sei como conseguimos caber com toda nossa bagagem no carro dele! Meu pai passou dois dias por aqui e partiu na terça, de trem, em direção à Santiago. Minhas meninas (mamãe, irmãzona e afilhadinha), ficaram uma semana.
No dia da chegada, fomos recebidos na casa da famille Sagot com champagne, moules avec des frites (prato típico) e um sol que eu nunca tinha visto aqui. Eu banquei a tradutora/ intérprete o dia (e a semana) todo - é legal desafiar nosso cerébro, mas no fim do dia minha cabeça queria explodir!
A semana toda foi dividida entre meu trabalho na casa e os passeios com a família. Íamos e voltávamos de Lille o tempo todo, sempre correndo pra dar tempo de ver a fazer tudo que queríamos. E nas noites, eu me enfiava no quartinho de hotel delas pra aproveitar até o fim!
Na sexta, pra agradecer a boa recepção da famille Sagot, foi o dia de cozinhar brasileiro! Com nossa massinha típica lá de casa e mousse de limão pra sobremesa - fizemos sucesso! E domingo, mais champagne! Dessa vez pra comemorar os 12 anos do Julien e pras famílias se despedirem!
A Jeanne e a Luiza se deram super bem, mesmo sem entender o que se diziam, brincaram muito e curtiram o tempo todo juntas!


BRUGGES - ou - Hoje só vale comer besteira.

No sábado, a Valèrie nos emprestou gentilmente seu carro, pra que eu as levasse conhecer Brugges. Demos sorte com o tempo durante toda a viagem, mas Brugges foi excepcional - 22 graus e um solzinho delícia!
Andamos um monte pela cidade, curtindo todos os detalhes. Lá tudo é muito antigo, mas super conservado, o que deixa o lugar ainda mais bonito. As pessoas também são muito simpáticas e mais de bem com a vida do que os franceses!
Aproveitamos que a viagem estava no fim e que Brugges tem uma boa besteira alimentar a cada esquina, pra passar o dia à base de tudo que engorda, faz mal, mas todo mundo adora: sorvete, chocolate, crepe, batata frita, gaufre e afins... Mas nem só de sólidos se satisfaz um corpinho ávido por porcaria, então eu e mamãe aproveitamos pra tomar um "choppinho" com vista pros canais...
O dia foi uma delícia e mais uma vez a Lulu foi companheiríssima, aproveitando o passeio como se fosse gente grande!
AVENTURA FINAL - ou - Todo mundo merece um beijo.

Segunda-feira, dia 26, foi nosso último dia juntas. Passamos o dia todo em casa, arrumando os últimos preparativos pra partida delas. Como o vôo era às 23h, estávamos sussegadas. O Pierre voltou pra casa às 18h, me emprestou o carro e nós partimos com destino ao aeroporto de Paris, com ajuda da GPS que ganhou vários nomes durante a viagem, mas vou resumir, chamando-na de Justine! No meio do caminho, minha irmã decidiu confirmar o terminal de embarque e pra isso pegou as passagens. Eis que ela faz a descoberta da noite: O vôo era às 22:20h e não às 23h.
Deu um pouco de pânico, claro... mas tínhamos saído cedo, ia dar tempo com certeza. Só não contávamos que a Justine só soubesse chegar próximo ao aeroporto, mas não dentro dele. Seguindo ela, acabamos nos perdendo, e aí o sim o pânico aumentou! Sem saber mais o que fazer, encontramos um Jeep do exército e pedimos ajuda. Muito gentis, eles nos guiaram até o aeroporto, dentro do terminal 2 - como indicado e confirmado na passagem. Chegamos em cima da hora, então as deixei na porta e fui estacionar o carro sozinha. Quando saí do carro, minha irmã me liga - O terminal mudou, o vôo saí lá do 1. Eu não sei vocês conhecem o Charles de Gaulle, mas ele é gigantesco. Elas saíram correndo pra pegar o trenzinho que vai de um terminal pro outro, e eu corri atrás, sem saber se ia conseguir encontrá-las a tempo de me despedir. Corri muito, e as encontrei, impedidas de entrar na plataforma com o carrinho de malas. Juntas, conseguimos carregar tudo e chegar no terminal certo.
Acho que fomos as últimas a fazer check-in pra esse vôo, mas o importante é que deu certo. Nos despedimos no portão de embarque, faltando no máximo meia hora pro avião partir, com um grande abraço e beijo familiar e a promessa do até logo (falta tããão pouco..).
Essa viagem toda foi, sem dúvida, um dos momentos mais especiais das nossas vidas, e eu amei muito estar com elas e com um pouquinho de cada um de vocês que mandaram tanto carinho na mala delas! As malas voltaram mais pesadas, porque eu mandei tudo de volta, espero que vocês recebam!

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Durante a viagem, recebemos uma notícia muito triste que não posso deixar de dividir. A Dolly, nossa cachorrinha de 15 anos, teve uma forte crise respiratória e acabou falecendo. Não pudemos nos despedir, mas sabemos que ela está bem onde está e foi embora com a certeza do nosso amor incondicional por ela.

Fica com Deus minha coisa feia!